Espondilolistese: Entenda o Escorregamento da Vértebra, os Sintomas e os Tratamentos

Vértebra fora do lugar, coluna escorregando, deslizamento da coluna ou vértebra deslocada: o que isso significa?

Se você pesquisou por termos como espondilolistese, vértebra escorregada, coluna fora do lugar, deslocamento da vértebra, escorregamento da coluna, espondilolistese lombar, vértebra desalinhada, dor lombar com ciática, fratura por estresse na coluna ou instabilidade vertebral, saiba que está diante de uma condição relativamente comum e que, na maioria dos casos, possui tratamento eficaz.

A espondilolistese ocorre quando uma vértebra se desloca para frente em relação à vértebra localizada logo abaixo dela. Dependendo da intensidade desse deslocamento e da presença de compressão dos nervos, o paciente pode apresentar desde sintomas leves até quadros de dor importante e limitação funcional.

Como ortopedista especialista em cirurgia da coluna, frequentemente atendo pacientes que recebem esse diagnóstico após uma radiografia ou ressonância magnética e ficam preocupados ao ouvir que uma vértebra “escorregou”. Felizmente, a maioria dos casos pode ser controlada com tratamentos conservadores ou cirúrgicos modernos quando necessário.

O que é Espondilolistese?

A palavra espondilolistese vem do grego:

  • Espondilo = vértebra 
  • Listese = deslizamento 

Em termos simples, significa que uma vértebra deslizou para frente em relação à vértebra abaixo dela.

Uma comparação fácil de entender é imaginar uma pilha de blocos. Quando todos os blocos estão perfeitamente alinhados, a estrutura permanece estável. Se um dos blocos começa a avançar para frente, a estabilidade diminui e algumas estruturas passam a sofrer maior sobrecarga. É exatamente isso que acontece na coluna vertebral.

O local mais frequentemente afetado são as vértebras L5 e S1 ou as vértebras L4 e L5 na região lombar.

Quais são os tipos de Espondilolistese?

Existem diferentes tipos de espondilolistese e entender essa diferença é importante porque a causa e o tratamento podem variar.

Espondilolistese Ístmica: É uma das formas mais comuns em adolescentes e adultos jovens. Ocorre devido a uma pequena fratura por estresse em uma região da vértebra chamada Pars interarticularis. Essa condição é chamada de Espondilólise. Quando a vértebra passa a deslizar, surge a espondilolistese.

É mais frequente em atletas que realizam movimentos repetitivos de hiperextensão da coluna, como:

  • Ginastas 
  • Jogadores de futebol 
  • Mergulhadores 
  • Levantadores de peso 

Espondilolistese Degenerativa

É a forma mais comum em adultos acima dos 50 anos. Ocorre devido ao desgaste progressivo das estruturas estabilizadoras da coluna:

  • Discos intervertebrais 
  • Articulações facetárias 
  • Ligamentos 

Com o envelhecimento, essas estruturas perdem resistência e a vértebra pode começar a escorregar. Frequentemente está associada a:

  • Artrose da coluna 
  • Estenose do canal vertebral 
  • Dor lombar crônica 

Espondilolistese Traumática

Ocorre após um trauma significativo. É menos frequente que os outros tipos. Pode surgir após:

  • Acidentes automobilísticos 
  • Quedas importantes 
  • Lesões esportivas de alta energia 

Espondilolistese Congênita (Displásica)

Está relacionada a alterações no desenvolvimento das vértebras desde o nascimento. Embora seja menos comum, pode apresentar progressão importante durante o crescimento.

Espondilolistese Patológica

Mais rara. Pode ocorrer devido a doenças que enfraquecem o osso, como:

  • Tumores 
  • Infecções 
  • Algumas doenças metabólicas 

Como saber se tenho Espondilolistese?

Algumas pessoas descobrem a espondilolistese por acaso em exames realizados por outros motivos. Quando existem sintomas, os mais comuns incluem:

Dor lombar persistente

Sensação de instabilidade nas costas

Dor ao ficar muito tempo em pé

Dor ao caminhar

Rigidez da coluna

Dor irradiada para as pernas

Muitos pacientes relatam “Parece que minha coluna está saindo do lugar” ou “Sinto a lombar fraca e instável”.

Quais os sintomas mais comuns?

Os sintomas dependem do grau do escorregamento e da presença de compressão nervosa.

Dor lombar: É o sintoma mais frequente. Geralmente piora:

  • Ao ficar em pé 
  • Ao caminhar 
  • Ao estender a coluna para trás 

Dor ciática: Quando existe compressão dos nervos. Pode causar:

  • Dor na nádega 
  • Dor na coxa 
  • Dor na perna 
  • Dor até os pés 

Formigamento: Sensação de choque ou agulhadas.

Dormência: Principalmente nos membros inferiores.

Fraqueza muscular: Nos casos mais avançados com compressão dos nervos.

Dificuldade para caminhar: Particularmente quando existe estenose do canal vertebral associada.

Como é classificada a gravidade da Espondilolistese?

O escorregamento é geralmente dividido em graus:

Grau I: Até 25% de deslizamento

Grau II: Entre 25% e 50%

Grau III: Entre 50% e 75%

Grau IV: Entre 75% e 100%

Espondiloptose: Quando a vértebra praticamente perde o alinhamento com a vértebra inferior.

Quanto maior o grau, maior o potencial de sintomas e instabilidade. Espondilolisteses graduadas acima de grau III, pela instabilidade associada, são tratadas de forma cirúrgica. As espondilolisteses grau I e grau II são tratadas, na enorme maioria dos casos, de forma conservadora.

Qual médico procurar?

O especialista mais indicado é Ortopedista Especialista em Coluna Vertebral ou Neurocirurgião Especialista em Cirurgia da Coluna. Esses profissionais possuem treinamento específico para avaliar instabilidade vertebral, compressão nervosa e definir o melhor tratamento.

Como é feito o diagnóstico?

Avaliação Clínica: A história dos sintomas e o exame físico são fundamentais.

Radiografias: São os exames mais importantes para identificar o escorregamento vertebral. Radiografias dinâmicas podem avaliar instabilidade.

Ressonância Magnética: Permite avaliar:

  • Compressão nervosa 
  • Hérnias associadas 
  • Estenose do canal 
  • Estado dos discos 

Tomografia Computadorizada: Muito útil para avaliar:

  • Espondilólise 
  • Alterações ósseas 
  • Planejamento cirúrgico 

Espondilolistese tem cura?

Objetivamente, não. Mas o objetivo do tratamento conservador não é curar a espondilolistese, mas sim evitar a progressão e as dores. Na maioria dos casos os sintomas podem ser controlados com excelente resultado. O objetivo do tratamento é:

  • Reduzir a dor 
  • Melhorar a estabilidade 
  • Preservar a função neurológica 
  • Permitir retorno às atividades normais 

Muitos pacientes convivem com espondilolistese de forma totalmente assintomática ou, quando algum sintoma está presente, sem qualquer limitação importante para as atividades básicas diárias.

Como aliviar a dor?

Algumas medidas costumam ajudar bastante.

Controle do peso corporal

Fortalecimento muscular

Correção postural

Evitar esforços excessivos durante crises

Aplicação de calor local

Medicamentos (Sempre com orientação médica): Podem incluir:

  • Analgésicos 
  • Anti-inflamatórios 
  • Relaxantes musculares 
  • Medicamentos para dor neuropática 

A fisioterapia resolve?

A fisioterapia é um dos principais pilares do tratamento. Os objetivos incluem:

  • Melhorar estabilidade da coluna 
  • Fortalecer o core 
  • Melhorar mobilidade 
  • Reduzir a dor 
  • Melhorar a postura 

Os recursos mais utilizados incluem:

Pilates Terapêutico

RPG

Exercícios de estabilização lombar

Hidroterapia

Treinamento funcional supervisionado

Em muitos pacientes, a fisioterapia permite excelente controle dos sintomas sem necessidade de cirurgia.

Quais exercícios posso fazer?

Os exercícios devem ser individualizados, mas geralmente incluem:

Caminhada

Bicicleta ergométrica

Pilates

Hidroginástica

Natação

Exercícios de fortalecimento do Core: O core funciona como uma “cinta muscular natural” que ajuda a estabilizar a coluna. Inclui:

  • Abdômen 
  • Lombares 
  • Glúteos 
  • Musculatura pélvica 

Como prevenir?

Nem toda espondilolistese pode ser evitada. Mas algumas medidas ajudam a reduzir o risco de sintomas e progressão.

Praticar atividade física regularmente

Fortalecer a musculatura abdominal e lombar

Controlar o peso

Evitar tabagismo

Utilizar técnicas adequadas para levantar peso

Tratar precocemente dores lombares persistentes

Precisa de cirurgia?

Não necessariamente. A maioria dos pacientes inicia tratamento conservador. A cirurgia costuma ser considerada quando existe:

  • Dor persistente apesar do tratamento adequado 
  • Compressão nervosa importante 
  • Fraqueza muscular progressiva 
  • Instabilidade significativa 
  • Espondilolistese de alto grau 
  • Limitação importante da qualidade de vida 

O procedimento mais frequentemente realizado é Artrodese Lombar, popularmente conhecida como “fixação da coluna”. O objetivo é estabilizar o segmento e descomprimir os nervos quando necessário.

Quanto tempo demora a recuperação?

Tratamento Conservador: Muitos pacientes melhoram em 6 a 12 semanas com fisioterapia e fortalecimento muscular.

Após Cirurgia: O retorno às atividades leves costuma ocorrer entre 2 e 8 semanas, a depender da técnica cirurgia e da progressão da reabilitação

A consolidação completa da artrodese pode levar 6 a 12 meses dependendo das características individuais de cada paciente.

Esse problema pode me deixar com alguma sequela?

A espondilolistese leve sem compressão neurológica não é uma doença com potencial risco de sequelas. Entretanto, quando existe compressão nervosa importante e prolongada sem tratamento adequado, podem ocorrer complicações como:

  • Dor crônica 
  • Fraqueza persistente 
  • Dormência permanente 
  • Limitação funcional 
  • Dificuldade para caminhar 

Em situações raras e mais graves pode ocorrer Síndrome da Cauda Equina, caracterizada por:

🚨 Perda do controle da urina

🚨 Perda do controle intestinal

🚨 Dormência na região íntima

🚨 Fraqueza importante nas pernas

Essa situação exige atendimento médico imediato.

Quando procurar um especialista em coluna?

Agende uma avaliação especializada se você apresentar:

✓ Dor lombar persistente

✓ Diagnóstico de espondilolistese em exames

✓ Dor ciática

✓ Formigamento ou dormência nas pernas

✓ Sensação de instabilidade da coluna

✓ Dificuldade para caminhar

✓ Perda de força

✓ Limitação das atividades diárias

A espondilolistese é uma condição relativamente comum que pode variar desde formas leves e assintomáticas até quadros mais complexos com compressão nervosa e instabilidade vertebral. Felizmente, com diagnóstico adequado, fisioterapia especializada, fortalecimento muscular e, quando necessário, técnicas cirúrgicas modernas, a grande maioria dos pacientes consegue controlar os sintomas, recuperar a funcionalidade e manter uma excelente qualidade de vida. O acompanhamento com um especialista em coluna é fundamental para definir a melhor estratégia de tratamento para cada caso.

Sobre

Dr. Guilherme Costa​

Ortopedista especialista em cirurgia de coluna

CRM-SP: 167.997 / TEOT 16.491 / RQE 80.813

Bem-vindo ao consultório do Dr. Guilherme Costa, ortopedista especialista em cirurgia da coluna vertebral com uma abordagem diferenciada e foco no bem-estar do paciente. Com uma sólida formação acadêmica em instituições de renome, traz consigo um vasto conhecimento aliado à experiência prática, garantindo um tratamento de excelência. Sua expertise é marcada pela aplicação de técnicas modernas e minimamente invasivas, visando não apenas tratar as condições ortopédicas, mas também minimizar o desconforto e o tempo de recuperação dos pacientes.

Além disso, o compromisso do Dr. Guilherme Costa com a atualização constante reflete-se em sua prática clínica, onde ele se mantém atualizado com os avanços mais recentes da cirurgia da coluna. Seu objetivo principal é oferecer um cuidado personalizado e eficaz, focado na busca do alívio das dores e na melhoria da qualidade de vida de cada paciente. Aqui, você encontrará um ambiente acolhedor e profissional, onde sua saúde e bem-estar são prioridade.

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