"Espondilolistese grau I", "anteriorlistese", "retrolistese discreta" — termos assim aparecem no laudo e raramente vêm acompanhados de qualquer explicação.
O Dr. Guilherme Costa, cirurgião especialista em coluna, explica o que é a listese, quais são os graus e o que cada um significa para o paciente.
O que é listese?
Listese é o deslizamento de uma vértebra sobre a outra. Quando esse deslizamento acontece para frente, chamamos de anteriorlistese ou espondilolistese. Quando acontece para trás, chamamos de retrolistese. Quando acontece para os lados, chamamos de laterolistese.
A espondilolistese é a forma mais comum e clinicamente relevante: a vértebra superior desliza para frente em relação à vértebra abaixo dela. Isso pode estreitar o canal vertebral, comprimir raízes nervosas e causar instabilidade local.
Por que a espondilolistese acontece?
Existem diferentes causas, e elas determinam o tipo da doença:
- Degenerativa — a mais comum em adultos, causada pelo desgaste dos discos e das articulações facetárias que perdem a capacidade de manter o alinhamento vertebral
- Ístmica — causada por uma fratura por estresse na parte posterior da vértebra (pars interarticularis), mais frequente em jovens atletas
- Congênita — malformação presente desde o nascimento
- Traumática — causada por fratura ou lesão direta
- Patológica — associada a tumores ou doenças ósseas
Os graus de espondilolistese
A classificação mais utilizada é a de Meyerding, que divide o deslizamento em quatro graus com base na porcentagem de deslocamento da vértebra:
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Grau |
Deslocamento |
Repercussão clínica típica |
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Grau I |
Até 25% da largura da vértebra |
Frequentemente assintomático ou com dor leve. Tratamento conservador na maioria dos casos. |
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Grau II |
Entre 25% e 50% |
Dor mais frequente, pode haver compressão nervosa. Tratamento conservador ainda possível, mas requer acompanhamento próximo. |
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Grau III |
Entre 50% e 75% |
Geralmente sintomático. Maior risco de compressão do canal e instabilidade. Cirurgia normalmente necessária. |
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Grau IV |
Mais de 75% |
Deslizamento grave, com instabilidade significativa. Cirurgia sempre indicada. |
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Espondiloptose |
100% (vértebra caída) |
Caso extremamente raro. Tratamento cirúrgico obrigatório. |
E a retrolistese?
A retrolistese é o deslizamento da vértebra para trás. É menos comum e, em geral, de menor magnitude. Quando "discreta" ou "leve", muitas vezes é um achado incidental — sem relevância clínica direta.
No entanto, retrolisteses associadas a instabilidade, degeneração discal avançada ou compressão de raízes nervosas merecem atenção especializada.
Quais são os sintomas?
Os sintomas variam muito de acordo com o grau e o tipo de listese. Os mais comuns são:
- Dor lombar, especialmente ao ficar em pé por longos períodos ou ao caminhar
- Rigidez matinal na coluna
- Irradiação da dor para as pernas (ciática), quando há compressão de raízes nervosas
- Melhora da dor ao sentar ou fletir levemente o tronco para frente
- Em casos graves: fraqueza nas pernas ou alterações urinárias e intestinais
- Dor cervical (no pescoço) ao se movimentar
Tratamento: conservador ou cirúrgico?
Graus I e II respondem bem ao tratamento conservador na maioria das vezes:
- Fisioterapia focada no fortalecimento do core e da musculatura extensora
- Controle do peso corporal
- Analgesia e anti-inflamatórios nas fases agudas
- Infiltrações guiadas para alívio da compressão nervosa
O tratamento cirúrgico (geralmente a artrodese — fusão vertebral) é considerado quando há déficit neurológico progressivo, instabilidade significativa ou falha do tratamento conservador por período adequado.
As espondilolisteses de grau III, IV e a espondiloptose merecem tratamento cirúrgico pelo risco de lesão neurológica associada à compressão.
O que fazer ao receber esse diagnóstico?
- Identifique o grau no laudo. Um grau I com paciente assintomático é muito diferente de um grau III com compressão nervosa.
- Não tome decisões precipitadas. Cirurgia não é automaticamente necessária em graus iniciais.
- Consulte um especialista em coluna. A avaliação clínica é indispensável para definir o tratamento adequado.
Agende uma consulta com o Dr. Guilherme
Se você recebeu um laudo com esse achado e quer entender o que significa para o seu caso, o Dr. Guilherme está à disposição para te ajudar. Cirurgião especialista em coluna, ele atende pacientes que buscam clareza antes de tomar qualquer decisão — com ou sem indicação cirúrgica.
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(11) 94828-8240
Este artigo é de caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente por um profissional qualificado.
