Uncoartrose: o que é e o que pode provocar de sintomas?

"Uncoartrose", "artrose uncovertebal", "degeneração das articulações de Luschka" — mais um conjunto de termos que aparece no laudo da ressonância da coluna cervical e deixa o paciente sem saber o que pensar.

O Dr. Guilherme, ortopedista especialista em coluna, explica o que são essas articulações, por que elas se desgastam e — principalmente — quais sintomas esse processo pode provocar no dia a dia.

Uma peculiaridade da coluna cervical

Antes de entender a uncoartrose, é preciso entender uma característica anatômica exclusiva da coluna cervical — que não existe em nenhum outro segmento da coluna vertebral.

Entre a terceira e a sétima vértebra cervical, nas bordas laterais superiores de cada vértebra, existem pequenas projeções ósseas chamadas processos unciformes — ou uncus. Essas projeções se articulam com a vértebra de cima, formando as articulações uncovertebrais, também conhecidas como articulações de Luschka, em homenagem ao anatomista alemão que as descreveu no século XIX.

Essas articulações têm um papel importante: elas guiam o movimento da coluna cervical, especialmente a flexão lateral — o movimento de inclinar a cabeça para o lado — e contribuem para a estabilidade do segmento.

O que é uncoartrose?

Uncoartrose é o desgaste (processo degenerativo ou artrose) das articulações uncovertebrais. O processo é essencialmente o mesmo que acontece em qualquer artrose do corpo: a cartilagem que reveste a articulação se desgasta, o osso reage formando osteófitos — projeções ósseas — e a articulação como um todo aumenta de volume e perde sua eficiência, gerando redução do espaço foraminal por onde passa o nervo.

O nome une "unco" — referência aos processos uncinados — com "artrose", que é o termo genérico para degeneração articular. É, portanto, a artrose específica das articulações de Luschka da coluna cervical.

Por que a uncoartrose se desenvolve?

As causas são semelhantes às de outras formas de degeneração da coluna:

Envelhecimento natural: o desgaste das articulações uncovertebrais começa de forma silenciosa a partir da quarta década de vida na maioria das pessoas. É um processo universal, mas que varia muito em intensidade de indivíduo para indivíduo.

Degeneração do disco cervical: disco e articulações uncovertebrais trabalham em conjunto. Quando o disco cervical perde altura, as vértebras se aproximam e as articulações de Luschka passam a receber uma carga desproporcional — acelerando seu desgaste.

Postura inadequada crônica: a posição de cabeça projetada para frente e flexionada (olhando para baixo) — extremamente comum em quem passa horas olhando para telas — aumenta significativamente a carga sobre a coluna cervical e sobre as articulações uncovertebrais. Cada centímetro que a cabeça avança além do alinhamento natural multiplica a força que age sobre essas estruturas.

Sobrecarga ocupacional: profissões que exigem posições fixas do pescoço por longos períodos — dentistas, cirurgiões, motoristas, trabalhadores em linha de produção — têm maior incidência de uncoartrose.

Predisposição genética: assim como em outras formas de artrose, a hereditariedade influencia a velocidade e a intensidade do processo degenerativo.

O que a uncoartrose pode provocar de sintomas?

Essa é a parte que mais interessa ao paciente — e onde a uncoartrose se distingue de outras formas de degeneração da coluna. Por causa da localização das articulações de Luschka, os osteófitos que se formam com o desgaste podem comprimir os nervos e provocar sintomas variados e, às vezes, inesperados.

Dor cervical

O sintoma mais direto e mais comum. A dor costuma ser localizada na nuca e no pescoço, com piora nos movimentos de rotação e inclinação lateral da cabeça. Pode ser constante em fases de inflamação ou aparecer em crises relacionadas a esforço, postura ou mudanças de temperatura associada à contratura da musculatura.

Cervicobraquialgia — a dor que desce pelo braço

As articulações uncovertebrais ficam muito próximas do forame intervertebral — aquela abertura por onde os nervos saem da coluna cervical em direção aos braços. Quando os osteófitos da uncoartrose crescem em direção ao forame, podem comprimir a raiz nervosa.

O resultado é a cervicobraquialgia: dor que começa no pescoço e irradia pelo ombro, braço, antebraço e pode chegar até os dedos. Dependendo do nível afetado, o formigamento e a dormência seguem trajetos diferentes — o que ajuda o especialista a identificar qual raiz está comprometida.

Compressão da artéria vertebral

Esse é um aspecto da uncoartrose que poucos artigos explicam — e que o Dr. Guilherme considera fundamental para o paciente entender.

A artéria vertebral — um dos principais vasos que leva sangue ao cerebelo e ao tronco cerebral — percorre um canal ósseo exatamente ao lado das articulações uncovertebrais, na coluna cervical. Quando os osteófitos da uncoartrose crescem em direção a esse canal, podem comprimir ou irritar a artéria.

A consequência pode ser uma síndrome chamada insuficiência vertebrobasilar, que se manifesta com sintomas que, à primeira vista, parecem não ter nada a ver com a coluna:

  • Tontura e vertigem — especialmente ao girar a cabeça
  • Zumbido no ouvido
  • Visão turva ou dupla transitória
  • Dor de cabeça occipital — na base do crânio na região posterior
  • Sensação de desequilíbrio ou instabilidade ao caminhar
  • Em casos mais graves, episódios de escurecimento visual ou queda súbita sem perda de consciência

Esses sintomas assustam muito os pacientes — que muitas vezes passam por otorrinolaringologistas, neurologistas e cardiologistas antes de chegar ao especialista em coluna e descobrir que a origem está nas articulações de Luschka.

Mielopatia cervical

Em casos de uncoartrose avançada, os osteófitos podem crescer em direção ao canal vertebral central e comprimir a própria medula espinhal. Esse quadro — chamado mielopatia cervical — é mais sério e pode causar:

  • Alteração da marcha e do equilíbrio
  • Dificuldade de coordenação motora fina — como abotoar roupas ou digitar
  • Fraqueza progressiva nos membros
  • Alteração no controle da bexiga e intestino em casos avançados

A mielopatia cervical é uma das situações em que a avaliação cirúrgica é necessária com mais urgência — porque a compressão prolongada da medula pode causar danos irreversíveis.

Rigidez e limitação de movimento

Com o espessamento das articulações e a formação de osteófitos, o pescoço progressivamente perde amplitude de movimento. A rotação — virar a cabeça para os lados — e a inclinação lateral são os movimentos mais comprometidos. A rigidez matinal é uma queixa frequente.

Como é feito o diagnóstico?

A ressonância magnética da coluna cervical é o exame principal — ela mostra o grau de degeneração das articulações, a presença de osteófitos e o eventual comprometimento do forame, do canal vertebral e das estruturas nervosas.

A tomografia complementa com detalhes ósseos mais precisos. O eco-doppler das artérias vertebrais pode ser solicitado quando há suspeita de comprometimento vascular.

O exame clínico — especialmente a avaliação neurológica — é indispensável para correlacionar os achados de imagem com os sintomas reais do paciente.

Qual é o tratamento?

Tratamento conservador

Na maioria dos casos, especialmente sem déficit neurológico, o manejo inicial é conservador:

  • Fisioterapia cervical com mobilização, fortalecimento da musculatura do pescoço e correção postural
  • Analgesia e anti-inflamatórios para controle das crises
  • Reeducação postural — especialmente para quem passa muitas horas em frente a telas
  • Infiltração das articulações uncovertebrais guiada por imagem em casos selecionados
  • Adaptações ergonômicas no ambiente de trabalho

Cirurgia

Indicada em situações específicas: compressão nervosa com déficit neurológico progressivo, mielopatia cervical ou falha do tratamento conservador bem conduzido. Os procedimentos mais comuns incluem a discectomia cervical anterior com artrodese/fusão — que remove o disco degenerado, descomprime o nervo e estabiliza o segmento — ou abordagens posteriores para descompressão e artrodese, dependendo da localização e extensão da compressão.

Agende uma consulta com o Dr. Guilherme

Se o seu laudo descreve uncoartrose e você apresenta dor no pescoço, formigamento nos braços, tonturas ou qualquer outro sintoma que possa estar relacionado à coluna cervical, o Dr. Guilherme pode te ajudar a entender a origem do problema e definir o melhor caminho de tratamento.

Agende sua consulta:

  • Alameda Lorena, 131 – Cj 41 – Cerqueira César, São Paulo – SP, 01424-001
  • (11) 94828-8240
  • Atendimento também via WhatsApp

Tontura, zumbido e formigamento no braço podem ter origem na coluna cervical. Uma avaliação especializada esclarece tudo.

Este artigo é de caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente por um profissional qualificado.

Dr. Guilherme Costa

Ortopedia e Traumatologia
Cirurgia de Coluna

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