Escoliose é uma alteração da coluna que muitas pessoas associam apenas a uma curva vista de frente.
Mas a condição é mais complexa.
A escoliose é uma deformidade tridimensional: além da curva lateral, existe rotação das vértebras e alterações no formato do tronco.
Ela pode surgir em crianças, adolescentes ou adultos e ter causas diferentes.
Em grande parte dos adolescentes, uma causa específica não é identificada. Nesses casos, utiliza-se o termo escoliose idiopática.
A maioria das pessoas com escoliose não apresenta uma doença grave, mas algumas curvas podem progredir e precisam de acompanhamento.
Como é uma coluna com escoliose?
Vista de frente ou de costas, uma coluna sem escoliose importante tende a manter o eixo relativamente alinhado.
Na escoliose, surge uma curva lateral que pode ter formato semelhante a um “C” ou um “S”.
Ao mesmo tempo, as vértebras podem girar. Essa rotação explica por que uma pessoa pode apresentar maior proeminência das costelas de um lado ou diferença no contorno da região lombar.
Quantos graus são considerados escoliose?
Na avaliação radiográfica, uma curva superior a 10 graus pelo método de Cobb é tradicionalmente considerada escoliose.
Abaixo disso, pode existir assimetria postural, mas não a definição radiográfica de escoliose.
O número é importante, porém não conta toda a história.
Idade e crescimento restante influenciam bastante o risco de uma curva aumentar.
Quais são os sinais de escoliose?
Muitas crianças e adolescentes não sentem dor.
A escoliose pode ser percebida por alterações visuais, como um ombro mais alto, uma escápula mais proeminente, diferença no espaço entre os braços e a cintura (chamada de assimetria do triângulo de talhe), um quadril aparentemente mais alto ou assimetria quando a pessoa inclina o tronco para frente.
Roupas também podem parecer cair de forma diferente no corpo.
Esses sinais não confirmam diagnóstico, mas justificam avaliação.
Escoliose causa dor?
Em adolescentes, escoliose idiopática na enorme maioria das vezes não causa dor.
Se uma criança ou adolescente apresenta dor intensa, persistente ou sintomas neurológicos, o médico pode investigar outras causas.
Em adultos, a situação é diferente. Degeneração dos discos e articulações pode coexistir com escoliose e contribuir para lombalgia, rigidez e sintomas nas pernas.
O que causa escoliose?
Existem diferentes tipos.
A escoliose idiopática não possui uma causa única identificada, sendo fatores genéticos aventados como principais associados ao desenvolvimento da patologia.
Escoliose congênita está relacionada à formação das vértebras durante o desenvolvimento embrionário dentro do úteo.
Escoliose neuromuscular pode ocorrer em pessoas com determinadas doenças neurológicas ou musculares, como paralisia cerebral ou distrofias musculares.
Há também escoliose associada a síndromes genéticas e escoliose degenerativa do adulto (associada a processos degenerativos).
Má postura causa escoliose?
A escoliose estrutural não é simplesmente causada por sentar “torto”.
Carregar mochila pesada também não é considerado causa de escoliose idiopática.
Essa informação é importante porque muitos adolescentes e famílias sentem culpa desnecessária.
Postura pode alterar temporariamente a aparência do corpo, mas isso é diferente de uma deformidade estrutural da coluna.
Escoliose é hereditária?
Existe um componente familiar em parte dos casos de escoliose idiopática.
Ter um familiar com escoliose pode aumentar a atenção, mas não significa que todos os filhos desenvolverão a condição.
O comportamento da curva também varia muito entre pessoas da mesma família.
Como é feito o diagnóstico?
A avaliação clínica observa alinhamento de ombros, cintura, quadris, escápulas e tronco.
O Teste de Adams é frequentemente utilizado para identificar assimetria durante a flexão para frente.
Quando existe suspeita, radiografias da coluna em pé podem confirmar a curva e permitir a medida do ângulo de Cobb.
Outros exames são solicitados apenas quando há indicação.
O que é o ângulo de Cobb?
É uma medida utilizada nas radiografias para quantificar a magnitude da curva.
O médico seleciona vértebras que representam os limites da curva e calcula o ângulo entre elas.
Esse valor ajuda a classificar a magnitude e acompanhar a evolução.
Ele deve ser interpretado junto com idade, potencial de crescimento e outros fatores.
Escoliose pode piorar?
Algumas curvas progridem, outras permanecem estáveis.
Em adolescentes, o período de crescimento rápido merece atenção especial.
Quanto maior a curva e quanto mais crescimento ainda resta, maior pode ser o risco de progressão em determinados casos.
Por isso, acompanhamento periódico é importante quando a criança ou adolescente ainda está crescendo.
Curvas acima de 45 graus tendem a aumentar progressivamente independente da idade, sendo a medida um divisor de águas na escolha pelo tratamento cirúrgico ou conservador.
Escoliose tem tratamento?
Sim.
O tratamento pode variar entre observação, colete em situações selecionadas e cirurgia em curvas maiores ou progressivas.
Fisioterapia e exercícios podem ajudar na função, força e sintomas.
Nem todo paciente precisa de tratamento ativo para modificar a curva.
Muitas curvas pequenas precisam apenas de acompanhamento.
Quem tem escoliose precisa operar?
Na imensa maioria dos pacientes, não.
A grande maioria das pessoas identificadas com curvas pequenas serão apenas observadas ou realizarão tratamentos conservadores.
A indicação cirúrgica é reservada para cenários específicos, com curvaturas de maior magnitude.
Em adolescentes, curvas maiores e com risco de progressão entram na discussão.
Em adultos, sintomas, equilíbrio e comprometimento neurológico também são considerados.
Escoliose impede atividade física?
Não!
Muitas pessoas com escoliose podem participar de esportes, academia e atividades normais.
A avaliação individual é importante quando existem sintomas relevantes ou curvas específicas.
A atividade física costuma ser parte de uma vida saudável e não deve ser proibida apenas pelo diagnóstico.
Escoliose pode afetar a respiração?
Curvas muito grandes, principalmente torácicas e com curvaturas acima de 100 graus, podem comprometer o espaço e a mecânica do tórax em casos graves.
Isso não é o cenário da maioria das pessoas com escoliose.
Quando existem sintomas respiratórios, uma avaliação detalhada é necessária.
Adultos também podem desenvolver escoliose?
Sim.
Um adulto pode ter uma escoliose idiopática que começou na adolescência e continuou presente.
Também existe a escoliose degenerativa, que pode surgir com a progressão das alterações dos discos e articulações ao longo do tempo.
A abordagem desses pacientes é diferente da escoliose do adolescente.
Perguntas frequentes
Escoliose é deficiência?
O diagnóstico por si só não define incapacidade. O impacto funcional varia muito conforme o caso.
Escoliose pode desaparecer sozinha?
Algumas curvas pequenas identificadas muito cedo podem se comportar de maneira diferente, mas uma escoliose estrutural do adolescente não deve ser tratada como algo que simplesmente desaparecerá sem acompanhamento.
Dormir de lado piora escoliose?
Não existe evidência de que uma posição habitual de sono seja causa da escoliose idiopática.
Mochila pesada causa escoliose?
Não é considerada causa da escoliose idiopática, embora carregar peso inadequadamente possa provocar dor e desconforto.
Conclusão
Escoliose é uma deformidade tridimensional da coluna, e não apenas uma questão de postura.
Existem diferentes tipos e níveis de gravidade.
O diagnóstico precoce é especialmente útil durante o crescimento, porque permite acompanhar curvas com risco de progressão e intervir quando necessário.
O Dr. Guilherme Costa é ortopedista especialista em cirurgia da coluna vertebral e realiza avaliação de escoliose em crianças, adolescentes e adultos em São Paulo.
Percebeu assimetria nos ombros, costas ou cintura? Agende uma avaliação.
